Ando exausta de tudo que pesa minhas costas, da falta de ar que isso me proporciona. Cansada das lembranças de um passado próximo que me faz querer arrumar as malas e voltar correndo pra lá. Cansada de estar aqui em um presente que de presente não há nada, só tristeza. Esses dias têm sido tão pesados, com uma carga - física e emocional - tão gigantes, que me dá vontade de deitar, só deitar; fica ali admirando um nada que me parece melhor que a realidade de estar em pé sobrevivendo. Sobreviver. Essa é a palavra que devo destruir, tirar, esconder da minha vida. Preciso viver. Preciso me agarrar à alguma chance de felicidade que se torne evidente nos próximos dias, mesmo que essa chance seja pequena, mesmo que esteja distante de mim e do meu quarto. Mas antes disso preciso respirar, um ar puro que me dê a coragem suficiente para enfrentar o tempo ruim e acreditar que o céu voltará a ser claro e as nuvens voltarão a ter formatos alegres, assim como antigamente costumavam ser.
Ao que importa: quero viver. Preciso. E vou. Tratar a felicidade como ponto de chegada. Cruzar a linha e não retroceder.
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